sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Minha menina bonita


Eu vi a menina bonita
Enrolar uns cachos negros
Eu vi a menina bonita
Dançar de sapato baixo

Meus olhos vão com ela
Meu pensamento é nela
E o coração ela ganhou

Bebendo água de coco
Eu vi a menina bonita
Das unhas cor de vermelho

 Porque ela não sai da minha playlist a mais de um mês. Porque eu vejo o mar em segundo plano quando escuto. Porque o amor vai pra tudo quanto é cantinho que a gente se identifica de verdade. Porque foi feita pra mim. Adeus.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Into the wild


São raros. Sua tribo foi dizimada e existem poucos deles no planeta. Estou falando dos sensatos. Também! Essa comunidade nunca se organizou formalmente (-in-sensato isso?). Os antepassados uniram-se aos insensatos e geraram filhos e netos mistos, o que deveria ter sido uma desejada e bem-vinda diversidade cultural, mas não trouxe grandes resultados porque a insensatez virou a raça dominante. Restou quase nada de sensatos puros.

Reconhecê-los não é difícil. Eles costumam ser objetivos em suas conversas, dizem claramente o que pensam e baseiam seus argumentos no pouco tangível e desprestigiado bom senso. Analisam as situações por mais de um ângulo antes de se posicionarem (ah, como amo a empatia). Tomam decisões justas, mesmo que para isso tenham que ferir suscetibilidades. Não se comovem aos exageros ou delírios de seus pares, preferindo manter-se do lado da razão. Pessoas frias? É o que dizem deles, mas ninguém imagina como sofrem intimamente por não serem compreendidos (o que é desejável mas não priori).

O sensato age de forma óbvia. Ele conhece o caminho mais curto para fazer as coisas acontecerem, mas as coisas só acontecem quando há um empenho conjunto. Sozinho ele não pode fazer nada contra a avassaladora reação dos que, diferentemente dele, dedicam suas vidas a complicar tudo. Para a maioria, a simplicidade é sempre suspeita, vá entender.

O sensato obedece regras ancestrais, como, por exemplo, dar valor ao que é emocional e desprezar o que é mesquinho. Ele não concorda com muita coisa que lê e ouve por aí, mas nem por isso exercita o espírito agredindo pessoas que não conhece. Se é impelido a se manifestar, defende sua posição com ideias, não com violência (seja qual tipo for).

O sensato não considera careta cumprir as leis, é a parte facilitadora do cotidiano. A loucura dele é mais sofisticada, envolve rompimento com algumas convenções, sim, mas convenções particulares, que não afetam a vida pública. O sensato está longe de ser um certinho. Ele tem personalidade, e se as coisas funcionam para ele, é porque ele tem foco e não se desperdiça, utiliza seu potencial em busca de eficácia, em vez de gastar energia com teatralizações vãs.

O sensato privilegia tudo o que possui conteúdo pois está de acordo com a máxima que diz que mais grave do que ter uma vida curta é ter uma vida pequena. Sendo assim, ele faz valer seu tempo. Reconhece que um programa de TV fastfood é um passatempo curioso, mas não tem estômago pra digerir todo o vazio banal oferecido.

Ouvi de um sensato um dia desses: "perdi minha turma eu convivia com pessoas criativas, que falavam minha língua, que prezavam a liberdade, pessoas antenadas, nada medíocres. A gente se dispersou."  Parecia mesmo um exemplar raro nesse mundo.
Fica a dica: mesmo com poucas chances de sobrevivência, que se morra em combate. Sensatos, resistam.

*texto adaptado

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Verdade seja dita


Ainda guardo o melhor de mim para meus melhores dias e meus maiores sonhos.

Oferendar

 Essa é pra dançar de olhos fechados: liiinda música!
A foto eu tirei no Mercado das Borboletas, em BH.

"Deixa eu me banhar no orvalho fresco desse teu amor
Deixa eu me molhar na cachoeira do teu carinhar
Deixa eu me entranhar pelas veredas do teu coração

Deixa eu desvendar tua paixão, deixa eu me apaixonar
Deixa eu desvendar tua paixão, deixa eu me apaixonar
Deixa eu beber no teu riacho, um tacho de água cristalina

Deixa eu fecundar tua semente, no ventre de uma chuva fina
E a cada manhã o meu amor te oferendar
E a cada manhã o meu amor te oferendar

Minha boca te espiando e nada te dizendo
Meus olhos alumiando, tudo a te falar
E cá dentro do peito um pobre coração batendo
Contendo um balaio cheio de amor pra dar

Vem, me dá um cheiro, que eu te dou o meu
Se avexe, vem ligeiro, chegue cá pra riba deu

Vem, me dá teu cheiro, que eu te dou o meu amor
E a minha vida do jeitinho que Deus criou."